O terreno da Fazendinha

Resolvi começar o blog numa época do ano que mal tenho tempo para escrever um email. Daí o buraco entre as publicações. Deixei passar várias idéias que não puderam virar um texto e até mesmo de divulgar acontecimentos que me pareciam importantes. Mas vou sair um pouco da minha casca, mesmo que seja por meros cinco minutos e na frente do computador, para divulgar uma nota assinada pelos movimentos de moradia e pelo D. Ladislau Biernaski.A nota convida para um ato, hoje, as 16h, em frente ao terreno desocupado violentamente pela PM no último dia 23 de Outubro.

PELA REFORMA URBANA! PELO DIREITO Á CIDADE!

Está escrito na Constituição que os governos federal, estadual e municipal devem garantir moradia a todos os cidadãos brasileiros.

Isso quer dizer que temos o direito de morar dignamente, com água e saneamento, eletricidade, transporte acessível e de qualidade, escola e posto de saúde. Enfim, temos o direito à cidade.

Mas milhões de brasileiros vivem sem teto ou em condições precárias de habitação. Faltam, no Brasil, 7 milhões de moradias, ao mesmo tempo em que 5 milhões de imóveis permanecem desocupados, por conta dos interesses da especulação imobiliária.

Em Curitiba, faltam 60 mil moradias, enquanto mais de 56 mil imóveis estão vazios. Essa é a dura realidade da “capital ecológica”, que a propaganda da Prefeitura e dos grandes grupos imobiliários e construtoras tentam esconder.

Esses dados mostram que nossa luta é justa, ao contrário do que dizem os programas sensacionalistas de rádio e TV, comprometidos com o poder político-econômico.

Este terreno de 170 mil metros quadrados, cercado por barracos de lona, é hoje o símbolo maior da desigualdade social e do descaso com a vida por parte das autoridades.

Vigiada por homens armados desde o violento despejo do dia 23 de outubro, a área reivindicada pelo grupo Varuna / CR Almeida ficará manchada para sempre com o sangue de Celso Eidt, assassinado na noite de ontem por pistoleiros encapuzados.

Os movimentos e pastorais sociais, os sindicatos e demais organizações populares reafirmam a solidariedade à luta das famílias acampadas e exigem a desapropriação do terreno para habitação de interesse social.

Não aceitamos que os interesses do grupo Varuna / CR Almeida e as decisões judiciais que colocam a propriedade privada acima da vida prevaleçam diante de tanta injustiça e desigualdade.

Exigimos que as autoridades e Ministério Público investiguem a origem de tal propriedade que tem sido denunciada pelos movimentos de luta pela moradia como fruto de grilagem.

  • Coordenação dos Movimentos Sociais-CMS/PR
  • Assembléia Popular
  • Comitê Pela Cidadania e Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais
  • Coletivo Despejo Zero
  • Dom Ladislau Biernaski – Bispo da Diocese de S. José dos Pinhais

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