“Tem nada pronto aqui. Tá tudo por fazer.”

Ainda está para ser escrita a história do punk rock curitibano nos anos noventa. Uma história de interesse bastante restrito, é verdade, mas valiosa justamente por sua posição marginal, seu pequeno alcance – comparada não tanto às outras cenas brasileiras, mas especialmente àquelas do idioma anglo-saxão que inspirararam o mundo inteiro – e pelo relativo fracasso de suas maiores promessas; limites e decepções que não inibiram, mas, pelo contrário, reforçaram o inusitado de suas relações e a intensidade de seus feitos. Portanto, se um dia alguém decidir contar essa história, deve estar atento ao que as pessoas tentaram fazer – e ao modo como tentaram, isto é, como responderam a situação em que estavam lançadas – e não ao que porventura não conseguiram.

Mas talvez esta recordação seja possível apenas quando deixarmos de sentir os efeitos do que poderá, um dia, ser tomado como o momento inaugural de uma certa música e de uma certa prática. Quando não houver mais punk rock em Curitiba, ou quando o presente parecer apagado e insosso, poderemos talvez ter um interesse renovado pelo que foi feito antes. Mas este ainda não é o momento.

O Water Rats é um exemplo do que mais vigoroso e re-produtivo ainda existe na cidade. Uma música que torna-se extremamente refinada de tanto tentar ser crua, lembrando bandas como Circle Jerks e Black Flag, com uma pitada de Mudhoney e Nirvana. Eu poderia dizer que ela é formada por membros e ex-membros do Boi Mamão, Mandioca Radioativa, Sugar Kane, Swallow the Waffle… Mas esta é outra história. O importante é que os caras estão por aí, com alguma coisa na cabeça! E indicados ao prêmio de revelação da Revista Dynamite. Vota aí!

Outro que continua por aí é o bom e velho, incansável e impagável poeta, Oneide! Com quem eu já tive o imenso prazer de comemorar um aniversário comendo bolo de essência de baunilha do Mercadorama com Heineken quente numa manhã. Para poucos! Aliado a jovens empolgados, nosso maior cantor romântico consola a multidão de fãs carentes do lendário Pelebroi Não Sei?. Eu mesmo estou ansioso por acampanhar o CroonerDee ao vivo, balançando meu indicador direito com um copo de cerveja apoiado no peito, bem perto do coração!

Para encerrar, uma da nova geração. O Under Bad Eyes é, para mim, a mais grata surpresa da cidade desde o último e derradeiro disco do Odyssey. Eles seguem, aliás, o mesmo caminho: hardcore rápido com letras amargas, como nos ensinou o American Nightmare/Give Up The Ghost. Músicas como “A pessimistic song” lembram ainda Lifetime ou Kid Dynamite e, talvez por isso, algumas pessoas insistem em chamar isso de hardcore melódico. Um erro grosseiro, na minha opinião. De todo modo, eu espero sinceramente que eles sejam mais do que uma boa banda que lançou 6 músicas e acabou. Algo que a gente também sabe fazer muito bem!

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