Ódio e cuidado de si no punk

Trecho da coluna de Everton Moraes publicada no Pretexto #1.

“Os sentimentos de indignação e ódio constituem uma das bases da cultura punk. Pode-se dizer que a revolta, motivada pelo sentimento de ódio, foi para esta, desde o início da década de oitenta, o operador ético da transformação de si e da atualidade. “Destruir o sistema, destruir a religião”, a transformação social e subjetiva desejada sempre aparecia sob o signo da destruição, do desfecho final da ordem vigente, dos valores estabelecidos. Porém tudo leva a crer que essa destruição reivindicada era apenas um recurso retórico, ou antes, uma energia bruta, uma potência, a qual seria preciso domar, dar uma forma. (…) Submeter essa força à uma forma, transformando-a em estilo (de vida) é, portanto, uma maneira de se antecipar aos assujeitamentos e escapar a essas sujeições que o atingiam, de resistir a elas, de encontrar saídas lá onde o poder pretendia-se impermeável.”

Everton Moraes é Mestre em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina como o trabalho de dissertação “‘Deslocados, desnecessários’: o ódio e a ética no punk (Curitiba, 1990-2000)”. Graduado na Universidade Tuiuti do Paraná com a monografia “O começo do fim do mundo: as artes de viver do punk em Curitiba na década de 1990”. Atualmente estudando a perda da comunidade na obra biográfico-literária de Paulo Leminski. Publicou capítulos de livros sobre escrita de fanzines punks e a subjetividade nas prisões.

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Como Hollywood vilipendia um povo

Trecho de “Desorientar-se é fundamental”, escrito por Felipe Arruda para o primeiro número do fanzine Pretexto (lançamento previsto para o mês de abril).

“No cinema de Hollywood, os terroristas são, inevitavelmente, árabes. Jack Shaheen, professor da Universidade de Illinois, chegou a analisar mais de 900 aparições de árabes em filmes. Dessas, apenas 12 retratavam árabes de maneira positiva e outras 50 com neutralidade. O estudo virou livro e documentário: Reel Bad Arabs: How Hollywood Vilifies a People.”