Ódio e cuidado de si no punk

Trecho da coluna de Everton Moraes publicada no Pretexto #1.

“Os sentimentos de indignação e ódio constituem uma das bases da cultura punk. Pode-se dizer que a revolta, motivada pelo sentimento de ódio, foi para esta, desde o início da década de oitenta, o operador ético da transformação de si e da atualidade. “Destruir o sistema, destruir a religião”, a transformação social e subjetiva desejada sempre aparecia sob o signo da destruição, do desfecho final da ordem vigente, dos valores estabelecidos. Porém tudo leva a crer que essa destruição reivindicada era apenas um recurso retórico, ou antes, uma energia bruta, uma potência, a qual seria preciso domar, dar uma forma. (…) Submeter essa força à uma forma, transformando-a em estilo (de vida) é, portanto, uma maneira de se antecipar aos assujeitamentos e escapar a essas sujeições que o atingiam, de resistir a elas, de encontrar saídas lá onde o poder pretendia-se impermeável.”

Everton Moraes é Mestre em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina como o trabalho de dissertação “‘Deslocados, desnecessários’: o ódio e a ética no punk (Curitiba, 1990-2000)”. Graduado na Universidade Tuiuti do Paraná com a monografia “O começo do fim do mundo: as artes de viver do punk em Curitiba na década de 1990”. Atualmente estudando a perda da comunidade na obra biográfico-literária de Paulo Leminski. Publicou capítulos de livros sobre escrita de fanzines punks e a subjetividade nas prisões.

Anúncios

2 comentários em “Ódio e cuidado de si no punk

  1. Olá Rodrigo. No último domingo, durante a verdurada, minha namorada e eu pegamos um exemplar do zine que você tinha levado. Quando voltávamos pra nossas cidades (ela é de Osasco e eu de São Carlos), lemos rapidamente o início de cada texto, e muitos me interessaram. Inclusive vi um texto do Goura que me interessou bastante, pois morei em Londrina há uns dois anos e conheci o Goura. Gostaria de ver o texto dele. Mas o problema que me faz escrever a você é que, ao sairmos apressados do ônibus, esqueci o zine lá. E agora queria saber se você poderia levar um exemplar para São Paulo no show do próximo mês, ou mesmo enviá-lo por correspondência. Neste último caso, é só me indicar uma forma de pagar por isso. Bem, espero uma resposta, se possível for.
    Um abraço.
    Alessandro.

  2. Alessandro,
    se você for ao show em São Paulo, pega o zine lá. Com certeza vou levar. Mas se não for, me avise e passe o endereço por e-mail que te mando pelo correio.
    Abraço.
    Rodrigo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s