Aqui não!

Na sua coluna de hoje na Furacao.com, Juarez Villela Filho comenta uma música cantada por parte da torcida atleticana no jogo contra o Náutico. Não estou conseguindo escrever a respeito de tudo o que penso, por isto divulgo aqui o trecho da coluna que trata do assunto e também o meu comentário, que é muito mais um desabafo.

Episódio 1 : preconceito

Posso servir para muitas coisas, mas para hipócrita não tenho muito o perfil. Fui o denunciante do absurdo caso de racismo ocorrido no Atletiba do Couto Pereira no primeiro turno, denuncia essa que praticamente passou em branco para o policiamento e para a imprensa, sempre muito benevolente com as coisas acontecidas no campo do centenário clube alviverdedecamisabrancaedecalçãopretoemeiacinza.

Pois bem, no final da primeira etapa parte da torcida passou a entoar uma nojenta música contra os nordestinos, personificados no valente time do Nautico. Burros, ignorantes ao ponto de não sacarem que até aquele momento ganhávamos por 2 X 0 com dois anotados pelo Wallyson, que na mente brilhante desses seres deve ser catarinense decerto! Nada, absolutamente nada justifica um gesto de racismo, de preconceito seja ele qual for e por isso mesmo após o jogo procurei tanto o vice Suke como o Presidente da Fanáticos, Julião da Caveira para saber sobre o ocorrido. Ambos recriminaram a atitude, prometeram procurar saber de onde partiu o grito e afirmam não estarem na galera naquele momento e mostraram claramente seu descontentamento com o ocorrido.

Menos mal. Uma torcida ligada a um clube popular, uma torcida que canta o hino nacional, que defende a pátria, que sempre levou o pavilhão do Brasil nas disputas fora do país, não poderia dar um exemplo tão ruim como este. Confio que jamais se repetirá.

Juarez Villela Filho

Juarez, fico muito feliz por você ter escrito esta coluna citando a extrema estupidez de parte da torcida que cantou esta música nojenta, preconceituosa, racista!

Eu nunca assisto os jogos na Fanáticos, mas por coincidência, neste dia, cheguei atrasado e resolvi ficar por ali para sentir um clima diferente. O que senti foi um extremo mal estar. Indescritível. Aquela música doeu na minha alma. Alma africana, sim, e nordestina. Que a cada batida de tambor ressoa os antepassados que me trouxeram até aqui. Que a cada palavra desgraçada como aquelas trouxeram também a sua dor por tamanha ignorância ainda presente. A dor de uma violência que é tão contundente quanto uma bomba e que deve ser punida da mesma maneira.

Olhava para os lados e via uma piazada com traços como os meus – africanos, mulambos, crioulos, ou seja, traços brasileiros como os de todos nós – ignorantes da sua própria condição. Pensei exatamente o que você escreveu: de onde eles pensam que vem o Wallyson? E o Alan BAHIA? E o Ziquita?

Quase sai do estádio. Mas esfriei a cabeça no intervalo e voltei para o meu lugar, lá do outro lado do estádio. Ao lado do meu pai, filho de nordestino. Não comentei nada com ele e espero que ele não tenha escutado o que saiu daquelas bocas burras. Mas fiquei ali desconfiado, pensado comigo mesmo: será que todo mundo neste estádio pensa assim? Será que metade pensa? Será que o futebol é mesmo o lugar deste tipo de comportamento desumano?

De verdade, acho que não. O futebol – em especial o futebol brasileiro – é exatamente o contrário. E como tal não pode tolerar NENHUM tipo de manifestação deste tipo. Isto inclui, obviamente, o nacionalismo exacerbado que alguns querer trazer para o meio das arquibancadas. Afinal, de onde será que eles pensam que vem o Valencia? E o Julio dos Santos? E o Ferreira?

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Um comentário em “Aqui não!

  1. O futebol está, na minha opinão, cada vez mais imbecil. Com os inúmeros jogadores vindos de “fora”, da mistura de raças não só na nossa comunidade, mas dentro de campo, ouvir esses gritos é de certa forma nojento. Não sou atleticano, não tenho lá muita simpatia por nenhum time do Paraná e nem de outros estados, mas aqui em São Paulo as coisas não são tão diferentes. O mais engraçado foi o que você mesmo disse: pessoas com traços tão brasileiros tentando atacar outros, vindos talvez do mesmo local deles proprios ou de seus antepassados. É uma pena, mas ultimamente vendo essas coisas, violência e inumeras outras barbaries, o melhor mesmo é desembolsar os 50 mangos mensais pra pagar o pay per view mesmo.
    Belo texto cara.

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