Conhecendo a máquina de escrever

Lembro quando meu pai chegou em casa com nosso primeiro videocassete. Minha irmã e eu nos abraçamos e começamos a pular no meio da sala. Naquela época, parecia que todo mundo menos a gente tinha videocassete. Você sabe como são as crianças. Eu nem sabia direito para que servia aquele negócio, mas sonhava com um desses embaixo da minha televisão.

A coisa mais incrível que o novo eletrodoméstico fazia era gravar programas ainda que ninguém estivesse em casa. Era legal porque sempre passava alguma coisa interessante na hora de ir pra igreja. Juntamos algumas dezenas de fitas VHS debaixo do armário. Então passamos a gravar por cima, da mesma forma que já acontecia com as fitas cassete de áudio. Mas a coisa funcionou por apenas alguns meses. Depois perdeu a graça. Tudo era gravado e assistido uma vez ou duas, no máximo. Virou estoque de poeira.

As instruções diziam que também era possível assistir a um canal e gravar o que passava em outro. Mas nem chegamos a aprender isto. O interesse por essas funções mais elaboradas durou pouco e durante anos o aparelho funcionou apenas recebendo os filmes da locadora. Seis botões resumiam nossa relação com o antigo objeto de desejo: play, pause, forward, reward, stop, reject. Hoje o trambolho cinza jaz em algum armário da casa, tornado obsoleto por seus irmãos mais novos cujo empenho da família talvez alcance uma dúzia de botões.

As máquinas sempre entraram na minha casa com um pouco de atraso em relação à maioria dos meus amigos. Ainda assim, nunca deixaram de despertar paixão e curiosidade, seguidos de perto por uma espécie de acomodação e desinteresse. O caso mais ilustrativo é o da centrífuga de alimentos. A festa durou exatamente 3 dias e contou inclusive com um campeonato de sucos. Agora todo mundo morre de preguiça de limpar aquele treco que fica cheio de bagaço de fruta colado em toda parte.

Mas sem dúvida, entre todos os aparelhos domésticos, o que por mais tempo conserva sua magia é o microcomputador. Este é o mais ferrenhamente disputado, o que fica mais horas ligado, o que todo mundo quer usar.

Minha relação com ele data do início dos anos 90. Fiz meu primeiro curso diante de uma tela verde e preta, utilizando aqueles disquetes gigantes e digitando comandos que minha memória apagou. Depois de uma tardia redescoberta via Windows, consegui aprender o suficiente para garantir a sobrevivência virtual. Mas cada vez mais sinto que meus conhecimentos não são o bastante para me conferir uma cidadania neste novo mundo. Comparativamente, é como se eu fosse semi-analfabeto ou alguém que foi educado para um tipo de atividade que não existe mais. Eu ainda consigo me virar. Mas se tudo der certo para a tecnologia, antes dos 40 anos devo me sentir como meu avô de 90 na frente do computador. Não entendo metade dos termos e utilizo muito menos que a metade do que esta moderna máquina de escrever tem pra me oferecer.

Além de me incentivar a escrever, este blog faz parte do meu esforço (quase) autodidata. Digo “quase” porque na internet a relação entre mestre e aprendiz muda radicalmente, mas não deixa de existir. Dia desses, em meio a brusquetas e suco de cranberry, meu amigo Raphael Neto me ensinou a usar o Google Reader e me apresentou alguns professores interessantes. Entre as lições, destaco estas dicas de como montar um blog. Outro texto interessante é este meio-manifesto por uma blogosfera mais madura.

O resultado destas leituras e de alguma exploração desajeitada foram pequenas mudanças, como os tags que aparecem agora antes de cada postagem. No canto inferior direito você pode ver agora uma “nuvem de tags” que destaca os assuntos mais postados. Acima dela tem ainda uma relação de links ainda em fase de construção… Tentei encontrar também outro template, onde estas mudanças ficassem mais visíveis, mas os dois estilos mais interessantes já são usados pelo Nils e pelo Felipe .

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4 comentários em “Conhecendo a máquina de escrever

  1. Engraçado você falar da máquina de frutas hoje de manhã aqui. Por que hoje no mesmo horário, no trabalho, eu tentei falar para todas as mulheres o quanto de trabalho que esta maquina deu e que ela ficou rapidamente de lado na sua casa. O impressionante é que quase nenhuma me ouviu, a metade ainda disse que quer comprar e uma delas disse que conhece mais duas pessoas que não curtem a tal máquina. A boa noticia desse papo todo foi que uma das mulheres perguntou quanto vocês querem pela de vocês… :)

  2. Opa! Quem sabe minha mãe não se anima em vender. Vou conversar com ela. hehehe. Este é o tipo da máquina inútil! Mas quem sabe alguém consiga se divertir com ela, né? Beijo!

  3. de alguma forma, tinha passado desapercebido por esse post. bom saber q fui de alguma valia na sua eterna busca pelo aprendizado. sucesso, guri ! =*

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