Tudo na mão do Geninho

Dei uma de técnico cagão e esperei até os 40 minutos do segundo tempo para falar sobre a nova temporada do Atlético. Na verdade, não foi bem isso. Se tivesse algum poder de mexer no time, meus amigos, eu o faria bem antes. Acho que qualquer rubro-negro paranaense o faria, depois do vexame no Campeonato Brasileiro. Mas a diretoria não fez. Resolveu manter o mesmo time que quase nos matou do coração.

Ainda perdemos o Alan Bahia. Mas não vou chorar as pitangas, já que sua negociação com o futebol estrangeiro era mais do que esperada e merecida. O cara jogou muito e vestiu a camisa do clube como poucos no volátil futebol moderno. Sinto mesmo uma ponta de vergonha pelas poucas vezes que o xinguei lá da arquibancada. Lembro de uma senhora descontrolada rimando Bahia com porcaria e das piadas que terminavam o nome do craque com …bique. Ora bolas, que hipocrisia a nossa! Se eu estivesse sendo comandado por Bob Fernandes e Mário Sérgio Pontes de Paiva, vendo a vaca ir pro brejo daquele jeito, acho que também ia entornar das minhas. Sabe aquela coisa de beber para esquecer?

Mas falando sério, o Bahia se recuperou. O time se recuperou. As cinco últimas partidas, pelo menos, foram dignas de um Clube Atlético Paranaense. Nós sabemos que os méritos são, quase todos, do Geninho. Por isso, mantê-lo aqui não foi uma atitude da diretoria, mas da torcida. Vamos e venhamos, quem seria louco de mandar o homem embora depois de salvar o time da segundona e terminar o campeonato ovacionado, amado, praticamente acariciado pelas palavras dos milhares que formam a maior torcida desta capital? Ninguém é bobo. Mas corajoso, uma vez mais, é o Geninho. Porque se fosse eu, cláusula primeira da renovação do contrato seria carta branca para um bom número de contratações. Ficar no clube com o mesmo time é sinal de muita confiança, no próprio taco e/ou nos jogadores.

Quem acompanha futebol percebe o mexe-mexe em todas as equipes. Aqui nada. Só especulação. O pior é que botamos panca de clube da Europa. Mas sem capacidade pra fazer frente em contratações com outros clubes do Brasil, parecemos estar comendo frango e arrotando caviar. Tem pelo menos um grande time brasileiro que também não mexeu muito: o Flamengo. Meu amigo Rondi Ramone acredita que para o rubro-negro carioca é melhor assim, sem grandes estrelas, sem grande badalação, mantendo a base. A diferença para com o nosso rubro-negro, penso eu, é que os urubus terminaram o campeonato disputando vaga para Libertadores e a gente… bem…

Mais uma vez... a cartola.
Mais uma vez... a cartola.

Os poucos reforços procurados pelo Atlético são atacantes. Como se para fazer gols a bola chegasse no ataque sozinha… Ok, a posição está carente. Eu mesmo escrevi que precisávamos de um matador, um artilheiro ou um cabeça de bagre qualquer que fosse capaz de meter a bola na rede. Mas já que é começo de ano, não custava nada trazer também um bom meia-armador. Nos meus sonhos, vi Kleberson de volta à Baixada. Mas tudo bem, trouxeram o Lima. Se ele fizer um gol contra os coxinhas de volta já valeu. Só pra relembrar. Melhor ainda se for de pênalti e na final do campeonato. Bom, nessa onde de reviver o passado, ganhamos pelo menos dez anos em relação ao Alberto, que cruzou a bola para Óseas marcar o primeiro gol que eu vi acontecer no Joaquim Américo. Dois a zero no Palmeiras. Era o ano de 1996. Doze anos depois, tive que rever o Alberto puxando a perna pra voltar do ataque. Nem eu agüento. Pelo menos esse ano parece que não vai ter reforço para o nosso Departamento Médico.

O certame pode servir como uma grande pré-temporada, onde o time vai se entrosando e o Geninho vai testando tanto aqueles jogadores que conheceu em situação de pressão ano passado quanto os poucos reforços e os pratas-da-casa. Mas para torcida não tem essa. Tem que ser campeão do Estadual. Para isso, confesso, esperava surpresas até a reapresentação do elenco. Pelo menos uma promessa de campanha – investir no time de futebol – já foi descumprida.

Tá certo que a torcida pedia há anos que não se desmontasse o time de um campeonato a outro. Mas vai manter justo este time?! Vamos lá, não quero ser injusto nem estou torcendo contra. Tomara que dê certo. Tem aí bons jogadores, que merecem vestir o manto e podem honrar nossa tradição: Galatto, Nei, Rodholfo, Valência, Netinho, Ferreira e até Rafael Moura, que ninguém pode negar, fez dois ou três gols salvadores. Mas pensem bem: com uma derrota a mais que fosse, não ficava ninguém pra disputar série B. Ninguém prestava. Quer dizer, o Paranaense já vai começar com ares de desconfiança. Não estou dizendo que a torcida não vai apoiar o time. Mas não vão pensando que escapar do rebaixamento foi o bastante pra cair nos braços da massa não. Tem que começar vencendo e jogando bem pra fazer as pazes de vez.

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