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Ciclo de Palestras do mês da Bicicleta

In PRETEXTO on 16 16UTC Setembro 16UTC 2009 at 02:42

Nesta quarta-feira (16 de setembro) tem início o ciclo de palestras e debates sobre a mobilidade urbana por bicicleta em Curitiba. O evento faz parte do calendário do ‘Mês da Bicicleta’. O ARTE BICICLETA MOBILIDADE é uma proposta do coletivo interluxartelivre em parceria com o projeto Ciclovida da UFPR, Grupo Transporte Humano e Sociedade Peatonal, que chega neste ano a sua terceira edição.

A programação dos debates é a seguinte:

Quarta-feira – 16 – Claudio Oliver (Casa da Videira), Luis Patrício (Grupo Transporte Humano), Rodyer Cruz (História – Tuiti)

Quinta-feira – 17 – Lolô Cornelsen (arquiteto), Antonio Miranda (União dos Ciclistas do Brasil)

Sexta-feira – 18 – Fábio Duarte (arquitetura – PUC), Maria Miranda (arquiteta – IPPUC), Iara Thielen (Psicologia – UFPR)

Segunda-feira – 21 – José Carlos Belotto (Ciclovida – UFPR), Ricardo Mesquita (Acessibilidade Urbana), André Caon Lima (Sociedade Peatonal).

Por que não priorizar a bicicleta no meio urbano? O que impede sua inserção no cotidiano da cidade? Por que não temos ciclofaixas, que são a opção mais barata e eficiente para proteger os ciclistas, espalhadas pelos quatro cantos de Curitiba? Estas e outras perguntas serão debatidas nestes dias que servirão de aquecimento para o 22 de setembro, dia sem carro, onde uma grande manifestação, a MARCHA DAS 1000 BIKES, irá ocupar a cidade saindo da reitoria da UFPR às 18:30hs.

Para o dia 22 ainda haverá uma programação especial com direito a Vaga Viva no centro da cidade além de uma linha fechada para os carros com ciclotaxi e tudo mais.

Acompanhe as novidades e a programação completa.

Política e Polícia

In PRETEXTO on 14 14UTC Fevereiro 14UTC 2009 at 18:29

Nesta sexta-feira 13, em Curitiba, o terror mais uma vez ficou por conta da Polícia Militar do Paraná. Não estive presente, mas não é preciso pensar muito para entender o que aconteceu. Ainda que o Governo do Estado e sua Secretaria de Segurança afirmem sempre que “conosco não tem enrosco”, a afirmação não é mais contundente do que as pancadas que continuam sendo distribuídas a torto e direito. Nada justifica a truculência e o despreparo que continuam sendo a marca da nossa PM.

A manifestação do Movimento Passe Livre – MPL reivindicava a volta da passagem ao patamar anterior (de R$2,20 para R$1,90), abertura da “caixa preta” da URBS (empresa responsável pelo transporte em Curitiba) e passe livre para todos os estudantes. Você já pode ler comentários na Internet dizendo que isto não é coisa de estudante nem de cidadão, pois lugar de estudante é na escola e a cidadania se exerce com trabalho e voto. Quem faz manifestação, pelo contrário, é “baderneiro”. Esta opinião não é de todo equivocada. Realmente, aqueles que decidem se manifestar politicamente deixam de pertencer inteiramente à mesma identidade social.

Como afirma o filósofo Jaques Rancière, através da ação política se produz um espaço de participação que não existia antes. Neste novo espaço, você não é apenas o estudante, o trabalhador, a mulher, o negro, etc. Estas são “identidades definidas na ordem natural da repartição das funções e dos lugares”, ou seja, o cada um no seu quadrado. Mas agir politicamente significa transformar todas estas identidades, criando um espaço de litígio onde se pretende repensar a sociedade, suas funções e lugares. Abre-se um espaço “onde qualquer um pode contar-se porque é o espaço de uma contagem dos incontados” (O Desentendimento. Editora 34, 1996, p. 48).

E quem são os incontados? Ora, você, eu, todos os que não estavam na mesa de negociação que decidiu pelo aumento da passagem. Todos os que não tem acesso às contas da URBS. Na “ordem natural” da sociedade, nós não temos o direito de mudar essas coisas. Não é da nossa conta. Porque estudante tem que estudar, trabalhador tem que trabalhar e todo mundo têm que pagar a passagem e ficar calado. Pelo contrário, o ato político constrói uma relação entre o que não tem relação. Ele exige que sejamos contados naquilo que não era da nossa conta. Transforma o problema de cada um em um problema de todos, deslocando o assunto privado (você não tem dinheiro pra passagem) para visibilidade pública (nós temos direitos de ir e vir).

Isto me faz lembrar de outra coisa, cujo contexto é muito parecido: transporte, direito à cidade, ação política e… criminalização. Daquela feita, a repressão foi da Guarda Municipal e o movimento em questão era a Bicicletada. Pintaram uma ciclofaixa e ganharam prisão, multa processo e – por sorte ou simpatia – escaparam da porrada. A defesa do grupo perante a justiça revela o quanto as autoridades trocam alhos por bugalhos, política por vandalismo, estudante por bandido, cidadão por meliante. O guarda em questão enquadrou o pessoal no artigo 4º da Lei Municipal 8.984/96, que condena a pichação de bens públicos ou particulares. No entanto, como afirma a defesa, o que havia ali não era um grupo de pichadores, mas “um movimento popular legítimo, o qual realizou ato público, à luz do dia, após chamada aos meios de comunicação e às autoridades, com apoio dos moradores e comerciantes da região, com propósito específico de atrair atenção para um meio barato e eficaz de se cumprir a lei (…) de exigir da Municipalidade a inclusão da
bicicleta como parte das soluções de trânsito em Curitiba”.

No meio de tantas diferenças, no critério “criminalização de movimentos sociais”, tanto o Governo quanto a Prefeitura estão empatados. Quer dizer… talvez a PM esteja alguns pontos na frente. Quem sabe porque o time está mais entrosado e vem treinando há mais tempo este tipo de ataque. O relato de um garoto na delegacia dá a medida dos métodos de intimidação. O policial pergunta a idade do rapaz e diante da resposta, ironiza: “Tá na hora de morrer, né?”. Para evitar qualquer denúncia e impedir novas manifestações, eles afirmam que estão na cola, tem fotos de todo mundo e sabem onde todo mundo mora. Quer mais? Ao que parece, nenhum dos detidos conseguiu fazer o exame de corpo de delito, pois foram mantidos na delegacia até perto das 18 horas e o IML funciona até as 17h30.

O MPL pede que sejam enviadas moções de apoio ao movimento e contra a criminalização dos movimentos sociais, para o e-mail mplcuritiba@gmail.com .

Futebol Paranaense: para o Zênite ou Nadir?

In PRETEXTO on 3 03UTC Fevereiro 03UTC 2009 at 12:52

Depois de três rodadas dá pra sacar que teremos uma boa disputa no Paranaense 2009. No meio da semana, durante a transmissão de Iguaçu (de União da Vitória) x Coritiba, Raul Plasmann destacou a qualidade que vem apresentando algumas equipes do interior. Sem dúvida a vontade de aparecer marca a participação de clubes com calendários que se resumem à disputa estadual. Mas além de garra e correria, aqui e ali aparece também um bom planejamento tático e alguns destaques individuais. Mas esta não é uma grande novidade. Nós é que esquecemos muito rápido das coisas ou temos esta mania muito paranaense de desvalorizar o que aparece por aqui.

Naquele jogo, o Iguaçu deu uma canseira no Coxa e se a zaga tivesse dado um chutão ou evitado o cruzamento do Marlos aos 48 do segundo tempo, o clube da capital não estaria hoje nem entre os dez na tabela. Aliás, na rodada seguinte o Iguaçu (que fez apenas dois jogos) conseguiu seu primeiro pontinho contra o J. Malucelli e impediu que o time alcançasse o Atlético na liderança. Com o empate no clássico deste domingo (Coxa 0 x 0 Atlético), o rubro-negro garantiu o primeiro lugar com dois pontos de vantagem sobre o rival. Mas entre eles estão Foz do Iguaçu, J.Malucelli e Toledo. Logo atrás vem o Nacional, Cianorte (também com dois jogos), Engenheiro Beltrão e só depois o Paraná Clube.

A próxima partida do Atlético é contra o J. Malucelli. E não adianta querer mudar de nome, porque vai ser sempre o Malita, o Jotinha, irmão mais novo, chato pra caralho. Mas agora, pra piorar, aquele irmão rebelde que não quer ser ele mesmo, foge de casa e muda de identidade. Ora, eu sempre achei legal você ter o direito de mudar de nome quando alcança a maioridade. Afinal, ninguém merece a má sorte de ser batizado com um nome escroto. O nome de J. Malucelli é sem dúvida um dos maiores erros de batismo da história do futebol mundial. Seria absolutamente compreensível se este fosse o único motivo da mudança. Afinal, como é que você pode conquistar torcedores para um clube que carrega o sobrenome de uma família? Até ditadores como Franco e Berlusconi foram espertos o bastante pra comandarem clubes de futebol sem emprestarem suas alcunhas.

O Malita já tinha uma tarefa difícil: ser o quarto maior clube de uma cidade. É só olhar para a Portuguesa em São Paulo ou o Vasco no Rio (gostou, Yuri? hehe). Que força de vontade, que disposição, que empenho para manter um clube e uma torcida nestas condições. Mas os dois exemplos ainda carregam toda a tradição da colônia portuguesa. E o Malita? Bom… Agora ele quer carregar a história de um dos maiores clubes do país. Assim, de lambuja. De uma hora para outra, deixar de ser um time quase sem apoio para se transformar em uma paixão. O Corinthians Paranaense. Mas não é bem assim… Aqui em Curitiba, pelo menos, o que estão conseguindo é perder a simpatia dos rivais.

Li em algum lugar o presidente Malita chorando porque o time não tinha torcida. Mas se eles tem a estrutura, porque não investir em uma parceria e montar um time realmente forte no interior? Lá, infelizmente, a maior parte de quem gosta de futebol prefere acompanhar apenas os times de São Paulo e Rio de Janeiro. Isto ficou evidente na pesquisa que aponta o Corinthians como clube de maior torcida no Estado. Assim… de boa… é uma vergonha. Entre as dez maiores torcidas, apenas três são do Paraná. Sei que a informação é antiga, mas olhe a lista:


1 – Corinthians, 12,5%
2 – Atlético-PR, 9,6%
3 – Palmeiras, 7,6%
4 – Coritiba, 7,5%
5 – São Paulo, 6,5%
6 – Flamengo, 6,2%
7 – Santos, 4,3%
8 – Paraná, 3,2%
9 – Grêmio, 2,6%
10 – Internacional, 1,4%

Considerando que os números que apontam os três clubes de Curitiba são, em sua grande maioria, de curitibanos, fica evidente que pelo menos no futebol o interior do Paraná não é paranaense. E onde é que estão os clubes do interior? Não é brincadeira não! Em Londrina, segunda maior cidade do Estado com mais de 500 mil habitantes, o clube da cidade fica atrás de cinco clubes paulistas e cariocas na preferência dos torcedores. O diretor de marketing do Corinthians, Luís Paulo Rosemberg, que classificou o negócio como uma “grande tacada mercadológica”, expôs com todas as letras o provincianismo do nosso Estado: “O norte paranaense é paulista”.

Não pensem que estou defendendo algum tipo de bairrismo ou segregação. De jeito nenhum. Direita pra mim é apenas uma posição dentro do campo, não na esfera política. Mas a subserviência é uma posição política. E quem invoca a posição de “democrático, liberal e livre de preconceitos” para defender um negócio cujo único objetivo é o lucro, está de fato defendendo apenas um “direito comercial”. Mas ok, pra terminar, vou dar o braço a torcer. O J. Malucelli nunca foi nada diferente disto, quer dizer, como Linhares Junior defendeu hoje em sua coluna, um “clube” que nasceu pra ser uma empresa, revelar jogadores e dar lucro para seus empresários. Eu ainda acho que embora o futebol possa ser comprado e vendido, não se pode dizer o mesmo da relação de uma torcida com seu clube ou sua cidade.

Minha nova ocupação

In PRETEXTO on 3 03UTC Fevereiro 03UTC 2009 at 01:45

No último sábado, dia 31, inauguramos uma pequena loja no Govardhana Yogashala.

O espaço pretende reunir bons livros (novos e usados) sobre filosofia, yoga, arte, política e literatura, além de roupa, música, comida orgânica, quadros, gravuras, fotos e outras produções de artistas locais.

Abaixo estão algumas fotos, amorosamente cedidas por Francinne M. Weffort.

GOVARDHANA
Rua Augusto Stresser, 207
Tel. (41) 3254-5657

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Por onde eu posso começar?

In PRETEXTO on 12 12UTC Janeiro 12UTC 2009 at 15:15

Agradeço as visitas no final de semana, mas já vou deixar um aviso: só “trabalho” neste blog entre segunda e quinta. Duro é escolher sobre o que falar na segunda-feira…

Bem, não dá pra deixar de lado o ato contra os ataques de Israel. Acordei cedo na sexta, um pouco ansioso. Afinal, nem lembro qual foi o último protesto que participei. Sem contar a Bicicletada, que pra mim é mais uma ação do que um protesto. Quer dizer… É um protesto. Mas é diferente. Você está reivindicando alguma coisa, mas ao mesmo tempo tem uma possibilidade mínima de intervir diretamente. É claro que a Bicicletada não muda uma legislação, não cria ciclovias ou bicicletários públicos. Então, fica ainda uma meta que só é alcançada sob a forma do protesto. Mas, por outro lado, o simples ato de pedalar e fazer isto em conjunto é uma forma de ação direta, quase uma desobediência civil. Você está reivindicando mais espaço para as bicicletas e está tomando este espaço a que realmente tem direito.

Em um protesto contra a guerra, como o que se faz aqui no Brasil em solidariedade ao povo palestino, qual é a possibilidade de uma intervenção concreta na realidade que se pretende transformar? Creio que este tipo de pensamento inibe a participação de algumas pessoas. “O que isto vai mudar?”.

Alguns murros em ponta de faca te fazem pensar nisto. Aquilo que você queria transformar no mundo continua o mesmo e suas próprias condições de vida pioraram. Se o tempo diminui nossa estatura, parece que o fato de estar envolvido com política – pelo menos esta política que não dá dinheiro – acelera o processo e te deixa ainda menor diante das outras pessoas. Aquelas que estão cuidando da sua vida, crescendo.

Então você sai de casa numa sexta-feira de manhã para participar de um protesto contra uma guerra que acontece muito, muito longe dos seus problemas. As bombas são lançadas e explodem longe daqui. A decisão de parar ou continuar os ataques não depende da sua opinião. Nem mesmo a ajuda humanitária depende de você. Sua solidariedade possivelmente não vai ter nenhum impacto visível. Não é uma enchente em Santa Catarina. A guerra é mais cruel e ainda menos compreensível que um desastre natural. Muito mais difícil de se intervir.

Uma guerra no Oriente Médio. O aumento da tarifa. O despejo de uma favela.

Você pode associar a imagem de Dom Quixote aos protestos, manifestações ou ações que buscam se posicionar nestas e em outras situações. Mas por que não a imagem de Davi contra Golias? A propósito, me lembro de uma camiseta de uma banda de hardcore punk paulistana com a imagem de uma criança palestina atirando pedras e a frase “Davi agora é palestino”. Talvez se nossa própria vida estivesse em risco não pensaríamos duas vezes antes de atirar uma pedra contra um tanque. Diante do massacre, não nos ocorreria perguntar “o que isto vai mudar?”.

Kanoute comemorando o gol de Luis Fabiano.

Kanoute comemorando o gol de Luis Fabiano.

A camiseta de Frédéric Kanouté comemorando o gol do Sevilha também não parou a guerra. Bem longe do bombardeio, ele não arriscou a vida. Só ganhou uma multa por ousar fazer do futebol um espaço político por preciosos segundos. Mas foi um ato vitorioso em uma época onde a grande preocupação dos atletas é colecionar Ferraris (pelo menos na Europa) e todos dizem a mesma coisa (pelo menos no Brasil).

O ato que aconteceu também em Curitiba foi vitorioso. Ele não parou a guerra, mas colocou cerca de mil curitibanos nas ruas como cidadãos e não como consumidores. Ele venceu uma batalha contra a apatia. Além do mais, a emoção de pessoas que tem parentes e amigos na região em conflito ou mesmo um forte laço cultural com o mundo árabe não deixou dúvidas sobre a importância de se expressar a revolta. Para que não siga acontecendo. Para que não aconteça jamais.

Velhos lugares e velhas pessoas.

In PRETEXTO on 6 06UTC Janeiro 06UTC 2009 at 02:32

Eu poderia dizer que uma das minhas metas em 2009 é levar esse blog um pouco mais a sério. Outra seria ver mais os amigos e deixar de lado o execrável hábito – que me habituei chamar curitibano – de combinar encontros sem a preocupação de que eles aconteçam realmente. Mas no lugar de promessas e metas que se esquece antes do próximo feriado, resolvi tomar o telefone e ligar para um velho amigo.

Saímos num domingo de manhã, depois de 14 meses ausentes. No sábado chovera pela semana inteira, para que naquele dia não houvesse novas desculpas. Falamos sobre muita coisa, mas só cabe aqui falar de uma. As outras não são para a publicidade. Pertencem à penumbra das amizades, onde não há toda a escuridão da vida privada, nem toda a luz da vida pública.

Andávamos pela Rua XV praticamente vazia, não fosse uma porção de senhores trocando não sei que palavras naquela parte do calçadão que se chama Boca Maldita. “Reduto machista”, como afirma a placa turística pregada na porta do Café da Boca. Dias antes passei ali com minha namorada e vimos que o tradicional café se tornaria mais uma lanchonete Subway. Gosto do Subway e peço sempre o mesmo: um pão de parmesão com óregano, 15 cm, queijo prato duplo, com todo tipo de saladas, especialmente as azeitonas que são sempre pretas e como molho, sempre, um que é agridoce e não guardo o nome inglês. Mas meu hábito importa menos que a tradição. Confesso antes uma ponta de tristeza pelo fechamento daquele velho lugar – ainda que provavelmente nunca o freqüentasse – do que alegria pela conveniência do meu lanche preferido.

Dentro de alguns dias ou semanas o café não existirá mais, mas os senhores certamente ficarão por ali, buscando em outro lugar o líquido preto, quente e amargo que lhes serve de combustível ou pretexto. A Boca não fecha. Estará sempre aberta para receber novos cafés, prosas, protestos e promoções. Os senhores continuarão ali e certamente serão outros. Seremos nós? Meu amigo pensou que sim. Mas no futuro que espio entre as brechas do meu comportamento atual, disse eu, devo ser um senhor ranzinza e solitário, passando ainda mais tempo enfurnado em casa, cercado pelas coisas que me agradam. Meu amigo logo assumiu a inclinação e sua esposa também o viu nesta mesma fantasia de eremita.

Mas seguimos falando ainda sobre muitas coisas e o conjunto delas, depois de fermentadas no espírito, mudaram um pouco a imagem que faço da minha velhice. Pelo menos hoje e enquanto o ano ainda é novo.

Já naquele dia, despedi-me feliz por reencontrar um velho amigo e ainda reconhecê-lo. Costuma-se lembrar dos amigos quando se pensa na morte. Como se no fim da linha houvesse um espelho mostrando aqueles que deixamos pra trás. Mas se a imagem refletida nunca é a imagem verdadeira, o passado que lembramos não é senão uma imagem presente. A saudade é vontade. A lembrança é novidade. O arrependimento, outra chance. E a morte não é de fato morte, mas a vida que ainda nos chama. Não é o fim da linha, mas uma margem. Só na margem se constroem pontes e é preciso sair de si para encontrar o outro.

Prefeitura de Curitiba multa cicloativistas

In PRETEXTO on 16 16UTC Dezembro 16UTC 2008 at 13:37

No dia 22 de setembro de 2007 pintamos todos juntos a primeira, e por enquanto única, ciclofaixa da ‘capital ecológica’. A ação aconteceu como parte das celebrações do Dia Mundial Sem Carros. Como todos sabem a guarda municipal apareceu no final da festa, e, como é de praxe, agiu com truculência, arrogância e estupidez. Das 50 pessoas envolvidas diretamente com a pintura, 3 foram aleatoriamente escolhidas e escoltadas ao som de sirenes e derrapadas até a delegacia do meio ambiente. A acusação: crime ambiental – pixação.Pois bem, a ciclofaixa foi apagada algumas semanas depois, e repintada com esplendor e glória na realização do primeiro desafio intermodal (outubro de 2007).

Isto é para todos estarem cientes de que a multa por pixação ainda esta valendo. Os 3 ciclistas que foram ‘enquadrados’ receberam esta semana uma notificação final com o veredito de culpa e com um prazo para pagar uma absurda multa de R$750.

E é assim que funciona. Confronto com uma política ridícula que não contempla os cidadãos não-motorizados, que desconsidera as bicicletas, que reverencia e se curva perante o grande capital e as grandes montadoras.

Queria pedir a ajuda de todos. Que escrevam para os jornais, para a prefeitura e façam uma manifestação de repúdio à esta multa e à falta de um trabalho verdadeiramente sério de mobilidade na cidade. Quem quiser pode ligar para o Fernando Rosembaum para se inteirar do que está rolando – 3082-7091.

A foto acima mostra um dos inúmeros paraciclos espalhados pela cidade de Amsterdam. Coisas que a prefeitura de Curitiba fica esperando um nobre e consciente empresário realizar, ao invés de assumir a responsabilidade direta pela mobilidade de seus cidadãos que não querem entupir ainda mais as vias arteriais do trânsito da cidade.

Hasta la victoria siempre!!

Abraços,

Goura

http://bicicletadacuritiba.wordpress.com/

www.artebicicletamobilidade.wordpress.com

O terreno da Fazendinha

In PRETEXTO on 6 06UTC Novembro 06UTC 2008 at 16:27

Resolvi começar o blog numa época do ano que mal tenho tempo para escrever um email. Daí o buraco entre as publicações. Deixei passar várias idéias que não puderam virar um texto e até mesmo de divulgar acontecimentos que me pareciam importantes. Mas vou sair um pouco da minha casca, mesmo que seja por meros cinco minutos e na frente do computador, para divulgar uma nota assinada pelos movimentos de moradia e pelo D. Ladislau Biernaski.A nota convida para um ato, hoje, as 16h, em frente ao terreno desocupado violentamente pela PM no último dia 23 de Outubro.

PELA REFORMA URBANA! PELO DIREITO Á CIDADE!

Está escrito na Constituição que os governos federal, estadual e municipal devem garantir moradia a todos os cidadãos brasileiros.

Isso quer dizer que temos o direito de morar dignamente, com água e saneamento, eletricidade, transporte acessível e de qualidade, escola e posto de saúde. Enfim, temos o direito à cidade.

Mas milhões de brasileiros vivem sem teto ou em condições precárias de habitação. Faltam, no Brasil, 7 milhões de moradias, ao mesmo tempo em que 5 milhões de imóveis permanecem desocupados, por conta dos interesses da especulação imobiliária.

Em Curitiba, faltam 60 mil moradias, enquanto mais de 56 mil imóveis estão vazios. Essa é a dura realidade da “capital ecológica”, que a propaganda da Prefeitura e dos grandes grupos imobiliários e construtoras tentam esconder.

Esses dados mostram que nossa luta é justa, ao contrário do que dizem os programas sensacionalistas de rádio e TV, comprometidos com o poder político-econômico.

Este terreno de 170 mil metros quadrados, cercado por barracos de lona, é hoje o símbolo maior da desigualdade social e do descaso com a vida por parte das autoridades.

Vigiada por homens armados desde o violento despejo do dia 23 de outubro, a área reivindicada pelo grupo Varuna / CR Almeida ficará manchada para sempre com o sangue de Celso Eidt, assassinado na noite de ontem por pistoleiros encapuzados.

Os movimentos e pastorais sociais, os sindicatos e demais organizações populares reafirmam a solidariedade à luta das famílias acampadas e exigem a desapropriação do terreno para habitação de interesse social.

Não aceitamos que os interesses do grupo Varuna / CR Almeida e as decisões judiciais que colocam a propriedade privada acima da vida prevaleçam diante de tanta injustiça e desigualdade.

Exigimos que as autoridades e Ministério Público investiguem a origem de tal propriedade que tem sido denunciada pelos movimentos de luta pela moradia como fruto de grilagem.

  • Coordenação dos Movimentos Sociais-CMS/PR
  • Assembléia Popular
  • Comitê Pela Cidadania e Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais
  • Coletivo Despejo Zero
  • Dom Ladislau Biernaski – Bispo da Diocese de S. José dos Pinhais

Política depois das eleições

In PRETEXTO on 15 15UTC Outubro 15UTC 2008 at 19:42

Neste dia 18 de outubro, sábado, o CEPAT continua com o ciclo de debates “O capitalismo visto pelo cinema”. O filme da vez é “Adeus Lênin” (Good Bye, Lenin!), de Wolfganger Becker. Começa às 8h30min no auditório do Sindicato dos Engenheiros – SENGE (CCI – Marechal Deodoro, 630 – 22º andar).Saiba mais: http://www.senge-pr.org.br/eventos/evento3.asp

No mesmo dia, o Movimento Passe Livre – MPL promove uma palestra com o professor Paulo Bearzotti sobre a história do planejamento urbano de Curitiba. Começa às 15h na reitoria da UFPR.
Mais informações: http://www.fureotubo.blogspot.com/