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Não queremos celebrar Tel Aviv

In PRETEXTO on 15 15UTC Setembro 15UTC 2009 at 13:52

Artigo de Naomi Klein, publicado no jornal norte-americano “The New York Times” e reproduzido no portal “Terra Magazine“, de Bob Fernandes. Postado em 13/09/2009 no portal UOL.

“Quando eu soube que o Festival Internacional de Cinema de Toronto estaria fazendo uma “mostra” Tel Aviv, me envergonhei de Toronto, a cidade onde moro. Imediatamente me veio à cabeça Mona Al Shawa, ativista dos direitos das mulheres palestinas que eu conheci numa viagem à Gaza que fiz recentemente.

“Tínhamos mais esperança durante os ataques”, ela disse. “Pelo menos acreditávamos que as coisas iriam mudar.”

Al Shawa explica que enquanto choviam bombas israelenses em dezembro e janeiro, os moradores de Gaza estavam grudados às suas TVs. O que eles viram, além da carnificina, foi um mundo em completa indignação: protestos globais, quase 100.000 pessoas nas ruas de Londres, um grupo de judias em Toronto ocupando o Consulado Israelense.

“As pessoas chamavam de crimes de guerra”, lembrou Al Shawa. “Sentimos que não estávamos sozinhos no mundo.” Se os moradores de Gaza pudessem sobreviver, parecia que o seu sofrimento seria, pelo menos, um catalisador de mudanças.

Mas hoje, Al Shawa disse, essa esperança não passa de uma lembrança amarga. A indignação internacional havia evaporado. Gaza já não estava mais nos noticiários. E parece que todas aquelas mortes – quase 1.400 – não foram suficientes para trazer justiça. Sem dúvida, Israel está se negando a cooperar até mesmo com a missão exploratória da ONU, liderada pelo respeitado juiz sul-africano Richard Goldstone.

No primeiro semestre, enquanto a missão de Goldstone estava em Gaza colhendo testemunhos assustadores, o Festival Internacional de Cinema de Toronto alinhavava sua seleção para a mostra Tel Aviv, marcada para coincidir com o centenário da cidade israelense.

Muita gente quer nos fazer acreditar que não há qualquer relação entre o desejo de Israel para permanecer imune ao escrutínio de suas ações nos territórios ocupados e as instalações glamorosas do evento em Toronto. Tenho certeza de que até Cameron Bailey, co-diretor do festival, acredita nisso. Mas ele está enganado.

Por mais de um ano, os diplomatas israelenses falam abertamente da sua nova estratégia para combater o crescimento do ódio à postura desafiadora de Israel à lei internacional. Não basta, dizem eles, apenas evocar Sderot (uma cidade de fronteira israelense e alvo de ataques de foguetes) cada vez que alguém menciona Gaza.

É preciso também mudar de assunto para tópicos mais agradáveis: cinema, arte, direitos dos homossexuais – coisas que estabelecem amenidades entre Israel, Paris, Nova York e Toronto. Depois do ataque a Gaza, e com o crescimento dos protestos, essa estratégia foi colocada em funcionamento. “Mandaremos escritores conhecidos para o estrangeiro, bem como companhias de teatro, exposições”, disse ao New York Times Arye Mekel, vice-diretor geral de assuntos culturais do Ministério do Exterior de Israel. “Dessa forma, mostramos a face mais bela de Israel, para que não se lembrem de guerra sempre que pensarem em nós.”

E Tel Aviv, cosmopolita e sempre na moda, celebrando seu centenário com “beach parties” em Nova York, Vienna e Copenhagen durante todo o verão, mostra-se um belo porta-voz.

Toronto teve um gostinho dessa nova missão cultural. Há um ano, Amir Gissin, o cônsul-geral de Israel em Toronto, explicou que a campanha da “Marca Israel” incluiria, de acordo com uma notícia do jornal Canadian Jewish News, “uma presença israelense maciça no próximo Festival Internacional de Cinema de Toronto, com presenças estelares de inúmeros artistas israelenses, canadenses e de Hollywood.” Gissin declarou, “Estou certo de que nossos planos se concretizarão.” Como de fato se concretizaram.

E que fique bem claro: Ninguém aqui está sugerindo que o governo israelense esteja manipulando a mostra Tel Aviv, sussurrando na orelha de Bailey quais filmes exibir. A questão é que a decisão do festival de dar voz ao orgulho israelense, declarando que Tel Aviv é “jovem e dinâmica como Toronto e celebra sua diversidade”, serve como uma luva para os objetivos de propaganda do governo israelense.

Gal Uchovsky, um dos diretores em foco na mostra, aparece no catálogo do festival dizendo que Tel Aviv é “um paraíso para onde os israelenses podem fugir quando quiserem esquecer-se da guerra e das agruras da vida cotidiana.”

Talvez em resposta a isso, o genial diretor israelense Udi Aloni, cujo filme “Local Angel” estreou no festival, enviou uma mensagem gravada em vídeo, desafiando os programadores do festival a combater o escapismo político e, em vez disso, “mostrar temas desconfortáveis”.

É irônico que a seleção de filmes esteja sendo chamada de “mostra”, porque celebrar aquela cidade isolada – sem olhar para Gaza, sem olhar para o que fica atrás dos muros de concreto, arames farpados e guaritas – acaba escondendo mais do que efetivamente mostrando algo.

Há alguns filmes israelenses sensacionais no programa. Eles merecem ser vistos como parte da programação normal do festival, fora desse escaninho poluído de enfoque político.

Foi com este mote que um pequeno grupo de cineastas, escritores e ativistas, do qual eu fazia parte, elaborou a Declaração de Toronto: Sem Celebração Sob Ocupação.

Foi assinado por artistas do calibre de Danny Glover, Viggo Mortensen, Howard Zinn, Alice Walker, Jane Fonda, Eve Ensler, Ken Loach, e milhares de outros. Entre eles também o celebrado diretor palestino Elia Suleiman, além de muitos cineastas israelenses.

Os contra-ataques – disparados pelo Centro Simon Wiesenthal e a radical Liga da Defesa Judaica – mostraram-se ao mesmo tempo previsíveis e criativos. A tecla mais batida é que os signatários seriam censores, tentando boicotar o festival.

Na realidade, muitos dos signatários têm filmes esperadíssimos no festival deste ano e de forma alguma tentamos boicotá-lo. Estamos é nos opondo à mostra Tel Aviv.

Mais criativa ainda foi a afirmação de que em nos negarmos a celebrar Tel Aviv como qualquer outra metrópole da moda, estaríamos questionando seu “direito à existência”. (O ator republicano Jon Voight chegou a acusar Jane Fonda de “apoiar e compactar com aqueles que desejam destruir Israel.”)

A declaração não diz nada disso. Na realidade, é apenas uma mensagem de solidariedade que diz o seguinte: Não queremos celebrar com Israel este ano. A declaração é também uma forma singela de dizer a Mona Al Shawa e milhões de outros palestinos vivendo sob ocupação que não nos esquecemos deles.”

Cineclube Manjericão: KOYAANISQATSI

In PRETEXTO on 13 13UTC Abril 13UTC 2009 at 14:33

Koyaanisqatsi: Life out of balance é o primeiro e mais conhecido filme da trilogia Qatsi. O filme tem a velocidade e o tom ditados pela belíssima trilha sonora de Philip Glass. Não existem diálogos e também não são feitas narrações durante todo o documentário, que apresenta cenas de paisagens naturais e urbanas.

A palavra koyaanisqatsi tem origem na língua Hopi e quer dizer “vida desequilibrada”. O filme leva sua audiência a refletir sobre os aspectos da vida moderna que nos fazem viver sem harmonia com a natureza, bem como a pressão exercida pelas inovações tecnológicas que tornam o cotidiano cada vez mais rápido.

17 DE ABRIL : 20h30

GOVARDHANA : Rua Augusto Stresser, 207

Visite o Cineclube Manjericão

Cineclube Manjericão: ZEITGEIST

In PRETEXTO on 30 30UTC Março 30UTC 2009 at 13:30

O Manjericão agora virou Cineclube. Isto significa que ele está aberto a participação de quem gosta de cinema e quer compartilhar filmes e informações sobre eles, palpitar na programação, ajudar a organizar as exibições e outros projetos.

Está tudo começando e toda colaboração é bem-vinda.

A próxima exibição é no dia 03 de abril, sexta, às 20h30.

Zeitgeist (EUA, 2007. 116 min. – Direção: Peter Joseph)

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Lançado e distribuído via internet, logo se tornou o video on-line mais assistido em todo o mundo e um clássico das teorias de conspiração. Dividido em três partes, o filme começa com uma crítica do cristianismo, sugerindo que a Bíblia seja uma miscelânea de histórias baseadas em princípios astrológicos pertencentes a civilizações antigas. A segunda parte trata dos ataques de 11 de setembro, afirmando que a queda do WTC foi uma demolição controlada pelo próprio Governo norte-americano. Finalmente, apresenta o sistema financeiro como uma grande conspiração disposta a obter domínio mundial e controlar toda ação humana.

Cine Manjericão: O Processo

In PRETEXTO on 25 25UTC Fevereiro 25UTC 2009 at 15:44

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Adaptação do livro de Franz Kafka, feita com maestria pelo grande diretor norteamericano Orson Welles. Com um elenco de primeira, uma trilha sonora jazz /clássica empolgante, maravilhosa fotografia e edição. Num ambiente sombrio e desalentador, um homem, Joseph K., acorda em plena manhã e encontra a polícia em seu quarto. É informado de que será preso. Não lhe apresentam os motivos nem a acusação. O processo corre em segredo. A partir daí, K. enfrenta caótica peregrinação. Apontam-lhe pessoas que poderiam influenciar e manipular o julgamento e garantir-lhe a absolvição, inclusive um advogado (o próprio Orson Welles), muito versado nos assuntos do tribunal. Ao procurar entender os mecanismos que movem seu processo, K. se torna paranóico e passa a acreditar numa enorme conspiração. Tudo parece um grande pesadelo.

CINE MANJERICÃO
DIA 27 DE FEVEREIRO – SEXTA
20H30 – Bebidas e confraternização
21h00 – Início da projeção
ENTRADA FRANCA (contribuições são bem-vindas)

GOVARDHANA
Rua Augusto Stresser, 207
Tel. (41) 3254-5657

O Enigma de Kaspar Hauser

In PRETEXTO on 10 10UTC Fevereiro 10UTC 2009 at 14:05

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“Cada um por si e Deus contra todos” é o título original que o diretor Werner Herzog tirou de “Macunaíma”, de Mario de Andrade. Baseando-se em registros históricos, Herzog nos conta o estranho caso de um jovem encontrado perdido numa praça de Nuremberg, Alemanha, em 1828. Ele não falava e nem conseguia ficar de pé. Passara os primeiros anos de sua vida aprisionado numa cela, não tendo contato verbal com nenhuma outra pessoa. Logo lhe foram ensinadas as primeiras palavras, mas a exclusão social de que foi vítima não o privou apenas da fala. Sem uma série de conceitos e raciocínios, Hauser não conseguia diferenciar sonhos de realidade. Quem seria este misterioso rapaz? Seria possível civilizá-lo?
Filme vencedor do Grande Prêmio do Juri em Cannes no ano de 1975.

CINE MANJERICÃO
DIA 13 DE FEVEREIRO – SEXTA
20H30 – Bebidas e confraternização
21h00 – Início da projeção
ENTRADA FRANCA (contribuições são bem-vindas)

GOVARDHANA
Rua Augusto Stresser, 207
Tel. (41) 3254-5657

Política depois das eleições

In PRETEXTO on 15 15UTC Outubro 15UTC 2008 at 19:42

Neste dia 18 de outubro, sábado, o CEPAT continua com o ciclo de debates “O capitalismo visto pelo cinema”. O filme da vez é “Adeus Lênin” (Good Bye, Lenin!), de Wolfganger Becker. Começa às 8h30min no auditório do Sindicato dos Engenheiros – SENGE (CCI – Marechal Deodoro, 630 – 22º andar).Saiba mais: http://www.senge-pr.org.br/eventos/evento3.asp

No mesmo dia, o Movimento Passe Livre – MPL promove uma palestra com o professor Paulo Bearzotti sobre a história do planejamento urbano de Curitiba. Começa às 15h na reitoria da UFPR.
Mais informações: http://www.fureotubo.blogspot.com/