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Ciclofaixa é disputa política, não vandalismo.

In 1 on 21 21UTC Outubro 21UTC 2009 at 13:07

SAIBA MAIS NO BLOG DA BICICLETADA

1- copie e cole a carta abaixo e envie um email novo, sem encaminhar nada, sem multiplos endereços, para o email do gabinete gabvirtual@pmc.curitiba.pr.gov.br .

2- Não esqueça de colocar seus dados no lugar do nome e do titulo de eleitor.

3- Envie ESTA MENSAGEM ao maior número possível de amigos, com uma nota pessoal pedindo apoio, e não como mais um SPAM.

4- Coloque no título: Multa a Ciclistas e estabelecimento de ciclofaixas, uma solução urgente!

Excelentíssimo Senhor Prefeito de Curitiba

Sr. Beto Richa

Tomando como base o impasse legal criado pela PGM na situação da multa imposta aos ciclistas que, em um gesto de demonstração de possibilidades e por repetirem uma prática jamais reprimida em outros contextos de empolgação cívica – como as celebrações de Copas do Mundo – se vêem os ciclistas em questão diante da insistência da procuradoria em enquadra-los como pichadores.

Venho, por meio desta e acompanhado de inúmeros outros cidadãos e eleitores desta cidade, solicitar que o senhor tome para si a revisão do ato administrativo que resultou na multa aos referidos ciclistas, o que lhe cabe como instância superior da administração pública dotada de poderes para rever os atos das instâncias inferiores.

A Guarda Municipal entendeu como delito comum, de simples pichação, a manifestação essencialmente política dos ciclistas que pintaram uma ciclofaixa na primeira quadra da Rua Augusto Stresser, (imediatamente antes da Praça Vivian Caropreso Braga) durante as manifestações do Dia Mundial Sem Carro de 2007.

Sabe-se porém que a pintura da ciclofaixa foi um gesto destinado a chamar a atenção para a necessidade de cumprimento dos dispositivos do Código Nacional de Trânsito que asseguram à bicicleta a condição de veículo de transporte no quadro urbano.

Ao anistiar os ciclistas, Sua Excia. passaria a reconhecer o teor político daquele gesto que não destruiu, degradou ou gerou qualquer custo de manutenção à administração pública.

Sua decisão de anistiá-los reverteria e corrigiria uma ação dos níveis inferiores, dando a estes um direcionamento diferenciado para o trato de situações semelhantes.

Ao considerar ainda que, ao recebê-los em seu gabinete, alguns dias depois da manifestação, Sua Excia. sinalizou claramente para o movimento e a opinião pública sua disposição favorável, pelo menos em tese, às metas da Bicicletada, a anistia aos ciclistas multados (três deles, em meio a cinqüenta participantes) apenas viria como uma conseqüência natural dessa disposição.

A sugestão de todos nós, ciclistas e não ciclistas, mas igualmente preocupados com a qualidade de vida tão propagada como sendo marca da cidade de Curitiba inclui ainda que S. Excia. assuma:

Institucionalização da Primeira Ciclofaixa de Curitiba, na Rua Augusto Stresser como marco simbólico de uma mudança de postura na gerência do tráfego na cidade.

O reconhecimento do ato em questão como eminentemente político, praticado por cidadãos livres, no sentido de impulsionar e colaborar com relações mais humanas nas ruas de nossa cidade, revendo a ação das instâncias inferiores de sua administração.

Reconhecer, a exemplo de cidades muito mais complexas e populosas – entre elas Nova York, que adota as ciclofaixas – a bicicleta como veículo inteligente, convivial e preferencial , respaldado por dados empíricos mais que comprovados, no que diz respeito a todos os aspectos que influem no deslocamento na cidade, mediante a adoção menos custosa, simples e eficiente que representam as ciclofaixas.

Certo de que teremos nossa voz ouvida, e certo de que a imposição da multa, razão de ser dessa carta, será revista por S.Excia.

Despeço-me

Atenciosamente

Nome – Titulo Eleitoral

Ciclo de Palestras do mês da Bicicleta

In PRETEXTO on 16 16UTC Setembro 16UTC 2009 at 02:42

Nesta quarta-feira (16 de setembro) tem início o ciclo de palestras e debates sobre a mobilidade urbana por bicicleta em Curitiba. O evento faz parte do calendário do ‘Mês da Bicicleta’. O ARTE BICICLETA MOBILIDADE é uma proposta do coletivo interluxartelivre em parceria com o projeto Ciclovida da UFPR, Grupo Transporte Humano e Sociedade Peatonal, que chega neste ano a sua terceira edição.

A programação dos debates é a seguinte:

Quarta-feira – 16 – Claudio Oliver (Casa da Videira), Luis Patrício (Grupo Transporte Humano), Rodyer Cruz (História – Tuiti)

Quinta-feira – 17 – Lolô Cornelsen (arquiteto), Antonio Miranda (União dos Ciclistas do Brasil)

Sexta-feira – 18 – Fábio Duarte (arquitetura – PUC), Maria Miranda (arquiteta – IPPUC), Iara Thielen (Psicologia – UFPR)

Segunda-feira – 21 – José Carlos Belotto (Ciclovida – UFPR), Ricardo Mesquita (Acessibilidade Urbana), André Caon Lima (Sociedade Peatonal).

Por que não priorizar a bicicleta no meio urbano? O que impede sua inserção no cotidiano da cidade? Por que não temos ciclofaixas, que são a opção mais barata e eficiente para proteger os ciclistas, espalhadas pelos quatro cantos de Curitiba? Estas e outras perguntas serão debatidas nestes dias que servirão de aquecimento para o 22 de setembro, dia sem carro, onde uma grande manifestação, a MARCHA DAS 1000 BIKES, irá ocupar a cidade saindo da reitoria da UFPR às 18:30hs.

Para o dia 22 ainda haverá uma programação especial com direito a Vaga Viva no centro da cidade além de uma linha fechada para os carros com ciclotaxi e tudo mais.

Acompanhe as novidades e a programação completa.

Não queremos celebrar Tel Aviv

In PRETEXTO on 15 15UTC Setembro 15UTC 2009 at 13:52

Artigo de Naomi Klein, publicado no jornal norte-americano “The New York Times” e reproduzido no portal “Terra Magazine“, de Bob Fernandes. Postado em 13/09/2009 no portal UOL.

“Quando eu soube que o Festival Internacional de Cinema de Toronto estaria fazendo uma “mostra” Tel Aviv, me envergonhei de Toronto, a cidade onde moro. Imediatamente me veio à cabeça Mona Al Shawa, ativista dos direitos das mulheres palestinas que eu conheci numa viagem à Gaza que fiz recentemente.

“Tínhamos mais esperança durante os ataques”, ela disse. “Pelo menos acreditávamos que as coisas iriam mudar.”

Al Shawa explica que enquanto choviam bombas israelenses em dezembro e janeiro, os moradores de Gaza estavam grudados às suas TVs. O que eles viram, além da carnificina, foi um mundo em completa indignação: protestos globais, quase 100.000 pessoas nas ruas de Londres, um grupo de judias em Toronto ocupando o Consulado Israelense.

“As pessoas chamavam de crimes de guerra”, lembrou Al Shawa. “Sentimos que não estávamos sozinhos no mundo.” Se os moradores de Gaza pudessem sobreviver, parecia que o seu sofrimento seria, pelo menos, um catalisador de mudanças.

Mas hoje, Al Shawa disse, essa esperança não passa de uma lembrança amarga. A indignação internacional havia evaporado. Gaza já não estava mais nos noticiários. E parece que todas aquelas mortes – quase 1.400 – não foram suficientes para trazer justiça. Sem dúvida, Israel está se negando a cooperar até mesmo com a missão exploratória da ONU, liderada pelo respeitado juiz sul-africano Richard Goldstone.

No primeiro semestre, enquanto a missão de Goldstone estava em Gaza colhendo testemunhos assustadores, o Festival Internacional de Cinema de Toronto alinhavava sua seleção para a mostra Tel Aviv, marcada para coincidir com o centenário da cidade israelense.

Muita gente quer nos fazer acreditar que não há qualquer relação entre o desejo de Israel para permanecer imune ao escrutínio de suas ações nos territórios ocupados e as instalações glamorosas do evento em Toronto. Tenho certeza de que até Cameron Bailey, co-diretor do festival, acredita nisso. Mas ele está enganado.

Por mais de um ano, os diplomatas israelenses falam abertamente da sua nova estratégia para combater o crescimento do ódio à postura desafiadora de Israel à lei internacional. Não basta, dizem eles, apenas evocar Sderot (uma cidade de fronteira israelense e alvo de ataques de foguetes) cada vez que alguém menciona Gaza.

É preciso também mudar de assunto para tópicos mais agradáveis: cinema, arte, direitos dos homossexuais – coisas que estabelecem amenidades entre Israel, Paris, Nova York e Toronto. Depois do ataque a Gaza, e com o crescimento dos protestos, essa estratégia foi colocada em funcionamento. “Mandaremos escritores conhecidos para o estrangeiro, bem como companhias de teatro, exposições”, disse ao New York Times Arye Mekel, vice-diretor geral de assuntos culturais do Ministério do Exterior de Israel. “Dessa forma, mostramos a face mais bela de Israel, para que não se lembrem de guerra sempre que pensarem em nós.”

E Tel Aviv, cosmopolita e sempre na moda, celebrando seu centenário com “beach parties” em Nova York, Vienna e Copenhagen durante todo o verão, mostra-se um belo porta-voz.

Toronto teve um gostinho dessa nova missão cultural. Há um ano, Amir Gissin, o cônsul-geral de Israel em Toronto, explicou que a campanha da “Marca Israel” incluiria, de acordo com uma notícia do jornal Canadian Jewish News, “uma presença israelense maciça no próximo Festival Internacional de Cinema de Toronto, com presenças estelares de inúmeros artistas israelenses, canadenses e de Hollywood.” Gissin declarou, “Estou certo de que nossos planos se concretizarão.” Como de fato se concretizaram.

E que fique bem claro: Ninguém aqui está sugerindo que o governo israelense esteja manipulando a mostra Tel Aviv, sussurrando na orelha de Bailey quais filmes exibir. A questão é que a decisão do festival de dar voz ao orgulho israelense, declarando que Tel Aviv é “jovem e dinâmica como Toronto e celebra sua diversidade”, serve como uma luva para os objetivos de propaganda do governo israelense.

Gal Uchovsky, um dos diretores em foco na mostra, aparece no catálogo do festival dizendo que Tel Aviv é “um paraíso para onde os israelenses podem fugir quando quiserem esquecer-se da guerra e das agruras da vida cotidiana.”

Talvez em resposta a isso, o genial diretor israelense Udi Aloni, cujo filme “Local Angel” estreou no festival, enviou uma mensagem gravada em vídeo, desafiando os programadores do festival a combater o escapismo político e, em vez disso, “mostrar temas desconfortáveis”.

É irônico que a seleção de filmes esteja sendo chamada de “mostra”, porque celebrar aquela cidade isolada – sem olhar para Gaza, sem olhar para o que fica atrás dos muros de concreto, arames farpados e guaritas – acaba escondendo mais do que efetivamente mostrando algo.

Há alguns filmes israelenses sensacionais no programa. Eles merecem ser vistos como parte da programação normal do festival, fora desse escaninho poluído de enfoque político.

Foi com este mote que um pequeno grupo de cineastas, escritores e ativistas, do qual eu fazia parte, elaborou a Declaração de Toronto: Sem Celebração Sob Ocupação.

Foi assinado por artistas do calibre de Danny Glover, Viggo Mortensen, Howard Zinn, Alice Walker, Jane Fonda, Eve Ensler, Ken Loach, e milhares de outros. Entre eles também o celebrado diretor palestino Elia Suleiman, além de muitos cineastas israelenses.

Os contra-ataques – disparados pelo Centro Simon Wiesenthal e a radical Liga da Defesa Judaica – mostraram-se ao mesmo tempo previsíveis e criativos. A tecla mais batida é que os signatários seriam censores, tentando boicotar o festival.

Na realidade, muitos dos signatários têm filmes esperadíssimos no festival deste ano e de forma alguma tentamos boicotá-lo. Estamos é nos opondo à mostra Tel Aviv.

Mais criativa ainda foi a afirmação de que em nos negarmos a celebrar Tel Aviv como qualquer outra metrópole da moda, estaríamos questionando seu “direito à existência”. (O ator republicano Jon Voight chegou a acusar Jane Fonda de “apoiar e compactar com aqueles que desejam destruir Israel.”)

A declaração não diz nada disso. Na realidade, é apenas uma mensagem de solidariedade que diz o seguinte: Não queremos celebrar com Israel este ano. A declaração é também uma forma singela de dizer a Mona Al Shawa e milhões de outros palestinos vivendo sob ocupação que não nos esquecemos deles.”